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Benito di Paula conta como vê a Musica Popular Brasileira na atualidade

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Caderno Vertente Musical
Nascido em novembro de 1941, Uday Velozzo ganhou fama com pseudônimo de Benito Di Paula. Pianista, cantor e compositor, o artista fez sucesso anos 1970 e, acompanhado de sua banda, consagrou-se com as canções Mulher Brasileira, Charlie Brown, Retalhos de Cetim, Se não for Amor, entre outros.

Benito Di Paula teve mais de 30 discos gravados, fez sucesso no exterior e vendeu, segundo ele, cerca de 50 milhões de discos no mundo todo.

A entrevista abaixo foi conduzida pelo nosso colunista Jeff Soares há alguns meses, no camarim do artista, no Theatro Guarany, em Pelotas.

JEFF: Benito, já fazem 47 anos do lançamento do seu primeiro disco (1971). Como é carregar a Bandeira do Samba?

BENITO: É o respeito ao público. Ter um público que me acompanha passando para os filhos o meu repertório. Estou cantando para uma terceira geração agora, isto é uma maravilha, uma dádiva, um presente. Graça à Deus eu consigo fazer isto. Eu tenho um grande carinho e respeito por todo mundo.

JEFF: Você é um artista autêntico da Música Popular Brasileira. Um artista da família Brasileira. O que você tem a dizer ao seu público aqui no Sul?

BENITO: Minha família. Eu já vim muitas e muitas vezes aqui, então eu tenho um carinho tão grande pelo Sul, sabe. É como se eu estivesse em casa com a família, é uma coisa muito boa, eu gosto muito daqui.

JEFF:Quem será que te aquece nessas noites frias’. Conta pra gente um pouco sobre ‘Teia’ – uma canção nova no seu repertório?

BENITO: Essa música é de autoria dos meus irmãos (Ney e Ana Veloso) e uma canção interessante, que fala da teia da aranha, mas em relação ao amor, e nós estamos lançando essa música atualmente.

JEFF: Existe uma grande dificuldade de lançar discos no Brasil. Fale um pouco do disco e quando poderemos ouvir o seu novo álbum?

BENITO: Breve. Estamos preparando, mas não será um lançamento, vai ser um presente que eu vou enviar a todos os meus amigos do rádio, televisão e imprensa em geral. É um acontecimento, não é um projeto de ganhar dinheiro. É um projeto de trabalho e quando você trabalha você ganha. Trabalhando honestamente, com respeito. Os arranjos são todos meus, como sempre, tudo foi feito com carinho, o instrumental não tem coisas elétricas e eu creio que os fãs irão gostar.

JEFF: Benito, sou cantor e fui muito influenciado por tua voz. Quais os cuidados que você tem com esse vozeirão?

BENITO: Muito obrigado (afetuoso). Creio que a fé em Deus. Outros cuidados eu não tenho não (risos). Sou totalmente autodidata, faço arranjo, faço várias coisas, mas não sei nada. Deus é quem me ensina tudo.

Eu não sei fazer nada, tudo que eu faço é para o povo de Deus, para as pessoas que Deus ama. A família é a instituição mais importante, a obra mais bonita de Deus. Eu sempre cantei pra família, canto as canções da minha, dos meus irmãos, dos meus amigos, ajudo aqueles que estão começando a carreira de alguma forma, porque eu faço a coisa simples e verdadeira. Toda pessoa que for assim, vai conseguir e o resto é trabalhar.

JEFF: O que você acha do atual momento da Música Popular Brasileira?

BENITO: É complicado. Eu não tenho nada contra a música em geral. Eu gosto de música, mas tem coisas que são muito parecidas. Tem muita coisa igual, você está vendo que aquilo é uma forçação de barra.

O cabelinho tem estar penteado igual, a botinha tem que tá igual, quer dizer, não existe isso na música. Tá certo, eles estão trabalhando, eles tem o direito, são direitos humanos, todos temos direito de ir e vir e ter a sua opinião, assim como eu tenho a minha. Se eles têm o direito de fazer o que estão fazendo, eu também tenho direito de falar, que está tudo muito igual.

Nosso País é muito rico, mas ninguém fala em Lupicínio Rodrigues, Luiz Gonzaga, fala – se muito pouco de Tom Jobim, ouve-se muito, mas fala-se pouco, então isso atrapalha. Tem uma dupla sertaneja que gravou no Rancho Fundo de Lamartine Babo e Ary Barroso e deu certo. Então, porque ficam nessa mania de isso e aquilo não pode? Pode tudo sim, tudo que é bem feito o público gosta, agora não pode ser a mesmice de sempre. Por uma época é válido, mas sempre não.

Existem muitos artistas maravilhosos que não conseguem espaço, porque compram tudo. Música não é mercado de venda. Música é arte popular Brasileira e nós estamos no Brasil, não pode ser assim. Sair por aí comprando espaços onde outro poderia trabalhar. Já pensou se um pedreiro compra o trabalho de outro pedreiro? Vai viver de quê a família desse pedreiro que perdeu espaço? Tem que se pensar nisso.

É duro falar isso. Não estou falando contra, estou dizendo: modere um pouco, poxa. Dê espaço para outros, pode ocupar o espaço, o espaço é de todo mundo, por isso se chama espaço. O universo é de Deus, e eu sou de acordo que se tem que respeitar e dar espaço e falar de outros artistas. Eu sempre falo de Luiz Gonzaga, Grande Otelo, Chico Buarque, Ataulfo Alves, e falo porque faz parte da minha educação musical, mas hoje em dia ninguém faz isso.

Agora, estão fazendo comigo e isso é uma coisa tão bonita e eu sou tão agradecido a Deus e a essas pessoas, esses amigos, porque eles estão fazendo além de uma homenagem, eles estão mostrando para o público um artista.

No meu caso por exemplo, estou há mais de vinte anos fora da mídia, mas não me afeta, estou nos lares das pessoas e isso é muito bom.

Jeff Soares (colunista)

 

 

 

SOBRE O COLUNISTA: Ativista da causa animal e das causas contra o preconceito, Jeff Soares tem 34 anos, é músico, cantor, e compositor há 18 anos. Trabalhou durante 11 anos como radialista nas rádios Vitória FM e Amizade FM, apresentando os programas Leitura Dinâmica, MPB Café e o É o Bicho. Atualmente, Jeff mantém a Banda de Benção, escreve crônicas e romances, além de escrever sobre Rock para o site Whiplash.net.

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Revisitando a História: Sonho ou Carnaval?

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Revisitando a História

“Vida que brota da alma, escondida o ano inteiro…
Vem à tona com tamanha euforia, com tanta intensidade
Que  parece não caber na forma que a encerra,
E ri… e canta… e dança…  e vive tudo de uma vez ,
Para depois dormir mais um ano, sossegada e serena.
Se olhar assim, com olhos comuns, não se identifica esta alma intensa
Que dorme na quarta-feira para voltar no próximo carnaval.”

Falar de Carnaval em Canguçu hoje é muito difícil, especialmente para uma quem é amante desta festa que retrata em sua essência o povo brasileiro, que mostra esta cultura tão particularmente nossa, tão vibrante e miscigenada…

É algo que está no sangue, na alma, não se explica e não se entende. Dificilmente um brasileiro é indiferente ao samba, este ritmo tão envolvente e muitos esperam o ano inteiro por esta época do ano  para  cair na folia, sambar, brincar e pular até que chegue a quarta-feira para então, como o palhaço que sai da caixa de surpresa,  voltar com cara de saudade para só sair novamente no próximo carnaval. Isto tudo é mágico e só é percebido por  aqueles que tem dentro de si o sentimento carnavalesco.

Mas  não é fácil falar de Carnaval quando ele se mostra tão diferente na minha Canguçu, diferente sim, pois já tivemos um Carnaval empolgante, envolvente, alegre e quem brincou o Carnaval no Salão do Harmonia até a final da década de 90, sabe do que estou falando; o novo século chegou, cheio de vida, de novidades mas o que se foi levou com ele a magia do Carnaval Canguçuense.

Muitos blocos carnavalescos encheram os salões do  Clube Harmonia e do Clube Recreativo América de alegria. Pessoas como o saudoso “Tio Arlindo Almeida” com seu bloco dos bichos, o seu Manoel e o Paulinho, jamais serão  esquecidas ao relembrarmos os antigos carnavais de rua, quando os mascarados faziam a festa .

Os blocos tradicionais como o Sacarrolha, o Rebu, as Bruxas,  o Cordão do Amor,  O ET , Los Tarados, os Bugres, os Maconeiros, e outros tantos que no momento não lembro, formados por casais ou jovens brilhavam com suas fantasias que luxuosas, criativas ou apenas expressando ideias em camisetas coloridas viviam este momento tão esperado e a alegria era contagiante desde o “Grito de Carnaval” , passando por ótimos bailes de salão e acabando na  quarta-feira de cinzas , mas é  claro que o que me deixou mais saudade foi  o nosso “Deixa Falar”, bloco animado que fez a nossa alegria por 10 Carnavais.

O “Deixa Falar” nasceu no carnaval de 1989, sendo seu nome uma homenagem a primeira escola de samba do Rio de Janeiro e teve como tema a “Oficialização da pilcha gaúcha”. Os primeiros componentes foram M. Zuleica G. Reyes, Géder Luiz G.  Barbosa, os irmãos Cacilda, Patrícia e Carlos Manke Bento, João Nei Pereira das Neves, Adriane e Andréia Maximino dos Santos, Gerson Flores Maciel, Marcos Paulo Barbosa de Souza e Angelita Barbosa.

O bloco contou com a colaboração especial de Nede Adam Manke ,  do casal Paula e Paulo Perchim e da querida tia Zaida Bento que inclusive nos emprestou o porão da sua casa para sede do bloco, o qual batizamos de “Submundo”. Naquele ano a rainha do carnaval do Harmonia era Cátia Dittgen Vergara.

Muitos amigos foram chegando e outros acabaram deixando este bloco carnavalesco tão especial. Integraram-se ao “Deixa Falar”: Airton Flores Maciel, Flávia e Carla Rosane Casarin Flores, Orivelson de Souza Moreira, Eliane Bichinho Oliveira, Marcos Manke, Noé Izomar de Moura da Silva, Maria Cândida Reyes Gularte e Mario Alberto Morales Gularte, Adriano Martin Funk, Sérgio Hianduí Nunes de Vargas, Carla Borges Guerra, Zelton Pereira das Neves, Marcelo Guerra da Cunha, Arlete Riskow Camargo, Flávio Manke Júnior, Jane Maria Guerra da Cunha e Saul Moreira da Cunha, Cláudia Silva da Fonseca, Luciana Maciel Viana, Alexandre da Silva Soares e Simone Bório Soares, Marivan Souza da Silva vergara e Fábio Prestes Vergara, Cláudio Roberto Rosa Quevedo, Ângela Maria Silveira Jacondino e Carlos Benhur Nunes Jacondino e Cíntia Ferreira Specht.

Foram presidentes do Bloco carnavalesco Deixa Falar: Carlos Manke Bento,  Géder Luís Goulart Barbosa, Patrícia Manke Bento, Miriam Zuleica Goulart Reyes, Jane Guerra da Cunha, Simone Bório Soares, Fábio Prestes Vergara e Adriane Maximino dos Santos.

Maravilhoso lembrar tudo isso… rever fotografias, relembrar as músicas que eram compostas baseadas nos temas apresentados pelo bloco. Além de todas essas lembranças ainda guardamos as camisetas, algumas fantasias,  faixas, estandartes e troféus que o bloco conquistou ao longo dos 10 anos de existência.

Parabéns ao nosso “Deixa Falar” e a todos os  Blocos  Carnavalescos que animaram o Carnaval de Canguçu.

 

 

 

SOBRE A COLUNISTA:: Miriam Zuleica Reyes Barbosa, formada em História pela Universidade Católica de Pelotas, é Professora da Rede Municipal e Acadêmica da ACANDHIS (Cadeira nº 6). Zuleica mantém em paralelo seu blog De Cangussú à Canguçu, Muitas Histórias.

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