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Revisitando a História: A Inauguração do Busto de Getúlio Vargas

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Revisitando a História

Muitas vezes acostumamos ver as coisas sempre onde estão e nem nos perguntamos como ou porque foram colocadas em determinados lugares; isto aconteceu muito no passado com os monumentos  e bustos de vultos históricos que foram parar nas praças das nossas cidades.

Um dos personagens da história brasileira que com frequência encontramos nas praças das cidades do nosso Rio Grande, é o  presidente Getúlio Vargas, imortalizado em busto de bronze, semelhante ao que encontramos na Praça Dr. Francisco Carlos dos Santos, em Canguçu.

Pois bem, em outra época era comum às famílias terem sua preferência partidária e viverem intensamente a vida política do país, esta valorização se estendia aos representantes de seus partidos de preferência.

O Sr. Áureo Gonçalves Klain, como de resto toda a família, eram simpatizantes do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e assim como grande parcela da população, sofreu com o suicídio do presidente gaúcho, Getúlio Vargas.

Dona Gilda Klain, que participava da ala feminina do partido em Canguçu, juntamente com sua sogra e outras senhoras, idealizaram colocar na praça central da nossa cidade um busto em bronze homenageando o eminente político; partiram elas, então, para a arrecadação de dinheiro em livro de
ouro e para realizar este sonho, contrataram o artista Antônio Caringi, escultor renomado na época, para que esculpisse o busto do político morto, para assim inaugurá-lo em grande solenidade, no dia 24 de agosto de 1956, dia em que estaria completando 2 anos de sua morte.

Segundo a professora Luiza Helena Moreira Silveira, amiga que me relatou esta história, o tal busto ficou pronto e antes de ser colocado no local onde encontra-se até os dias de hoje, ficou guardado  na residência de dona Maria Francisca Gonçalves Klain, mãe do Sr. Áureo e avó da professora Gilce Klain.

Contou ainda, que  ela e outras meninas da vizinhança, tinham muita curiosidade e até um certo medo de passar pelo quarto que normalmente encontrava-se escuro e guardava, sob um lençol, o busto daquele que era considerado um símbolo de adoração e respeito para os seguidores do trabalhismo. — Fantasias de criança… Gostoso relembrar.

Após esta lembrança da amiga Luiza, fui conversar com dona Gilda Klain e ela não só confirmou o que havia sido dito, como também colocou que após a solenidade de inauguração do busto de Vargas, vários discursos foram proferidos e belas homenagens foram feitas ao político símbolo do trabalhismo.

O Sr. Ernani Bento ofereceu um jantar em sua residência para os ilustres visitantes Getulistas que vieram para a solenidade. Dona Gilda relatou ainda, que por muitos anos conservou-se o costume na comunidade, de no dia 24 de agosto, data da morte de Getúlio, homenagear o ilustre morto depositando flores no monumento, realizando vigília de oração ou proferindo calorosos discursos em sua homenagem.

A parte da deposição de flores no monumento, eu quando pequena, cheguei a presenciar. Mas vamos ao que a história registrou em jornal da época.

 

Reprodução de matéria do Jornal A voz de Cangussú. Edição nº 82 de 1º de setembro de 1956:

A INAUGURAÇÃO DO BUSTO DE GETÚLIO VARGAS

Conforme noticiamos, realizou-se no dia 24 do mês passado a inauguração do busto do Sr. Getúlio Vargas na Praça Marechal Floriano, nesta cidade em homenagem ao 2º aniversário do passamento do ex-presidente da república.

Para a consecução dessa homenagem o povo de Cangussú contribuiu materialmente, sem distinções  partidárias. É de se salientar, entretanto, a Ala Feminina do PTB e a Srª. Doracilda Cruz de Souza, idealizadora e propugnadora  do movimento tendente a erigir o busto do ex-presidente  em nossa praça principal.

As solenidades da inauguração ocorreram às 15 horas, aproximadamente, com grande concentração popular em torno da herma do extinto chefe trabalhista. Iniciando desfile de oradores, falou o Sr. Paulo Brasil do Amaral, vereador em Pelotas e orador oficial da homenagem.

A seguir usaram da palavra, pela ordem, o Sr. João Borges da Silva, Presidente do Diretório Municipal do partido Trabalhista, Sr. Fausoli Fonseca, coletor estadual de Cangussú; Srtª Orlandina da Silva Borges, em nome da mulher canguçuense; Sr. Olavo Gomes Duarte, em nome do interior do nosso município; Deputado Estadual Walter Girdano Alves, deputado estadual Osmar Grafulha e Dr. Leonel Brizola, prefeito de Porto Alegre.

O prefeito da capital, que encerrou as solenidades, falou também, em nome do Dr. Paulo Couto, prefeito de São Leopoldo, que se encontrava presente na ocasião.

O busto do Sr. Getúlio Vargas é um primoroso trabalho do professor Antônio Caringi, um dos mais notáveis escultores do Rio Grande.

 

 

 

SOBRE A COLUNISTA:: Miriam Zuleica Reyes Barbosa, formada em História pela Universidade Católica de Pelotas, é Professora da Rede Municipal e Acadêmica da ACANDHIS (Cadeira nº 6). Zuleica mantém em paralelo seu blog De Cangussú à Canguçu, Muitas Histórias.

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Revisitando a História: Sonho ou Carnaval?

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Revisitando a História

“Vida que brota da alma, escondida o ano inteiro…
Vem à tona com tamanha euforia, com tanta intensidade
Que  parece não caber na forma que a encerra,
E ri… e canta… e dança…  e vive tudo de uma vez ,
Para depois dormir mais um ano, sossegada e serena.
Se olhar assim, com olhos comuns, não se identifica esta alma intensa
Que dorme na quarta-feira para voltar no próximo carnaval.”

Falar de Carnaval em Canguçu hoje é muito difícil, especialmente para uma quem é amante desta festa que retrata em sua essência o povo brasileiro, que mostra esta cultura tão particularmente nossa, tão vibrante e miscigenada…

É algo que está no sangue, na alma, não se explica e não se entende. Dificilmente um brasileiro é indiferente ao samba, este ritmo tão envolvente e muitos esperam o ano inteiro por esta época do ano  para  cair na folia, sambar, brincar e pular até que chegue a quarta-feira para então, como o palhaço que sai da caixa de surpresa,  voltar com cara de saudade para só sair novamente no próximo carnaval. Isto tudo é mágico e só é percebido por  aqueles que tem dentro de si o sentimento carnavalesco.

Mas  não é fácil falar de Carnaval quando ele se mostra tão diferente na minha Canguçu, diferente sim, pois já tivemos um Carnaval empolgante, envolvente, alegre e quem brincou o Carnaval no Salão do Harmonia até a final da década de 90, sabe do que estou falando; o novo século chegou, cheio de vida, de novidades mas o que se foi levou com ele a magia do Carnaval Canguçuense.

Muitos blocos carnavalescos encheram os salões do  Clube Harmonia e do Clube Recreativo América de alegria. Pessoas como o saudoso “Tio Arlindo Almeida” com seu bloco dos bichos, o seu Manoel e o Paulinho, jamais serão  esquecidas ao relembrarmos os antigos carnavais de rua, quando os mascarados faziam a festa .

Os blocos tradicionais como o Sacarrolha, o Rebu, as Bruxas,  o Cordão do Amor,  O ET , Los Tarados, os Bugres, os Maconeiros, e outros tantos que no momento não lembro, formados por casais ou jovens brilhavam com suas fantasias que luxuosas, criativas ou apenas expressando ideias em camisetas coloridas viviam este momento tão esperado e a alegria era contagiante desde o “Grito de Carnaval” , passando por ótimos bailes de salão e acabando na  quarta-feira de cinzas , mas é  claro que o que me deixou mais saudade foi  o nosso “Deixa Falar”, bloco animado que fez a nossa alegria por 10 Carnavais.

O “Deixa Falar” nasceu no carnaval de 1989, sendo seu nome uma homenagem a primeira escola de samba do Rio de Janeiro e teve como tema a “Oficialização da pilcha gaúcha”. Os primeiros componentes foram M. Zuleica G. Reyes, Géder Luiz G.  Barbosa, os irmãos Cacilda, Patrícia e Carlos Manke Bento, João Nei Pereira das Neves, Adriane e Andréia Maximino dos Santos, Gerson Flores Maciel, Marcos Paulo Barbosa de Souza e Angelita Barbosa.

O bloco contou com a colaboração especial de Nede Adam Manke ,  do casal Paula e Paulo Perchim e da querida tia Zaida Bento que inclusive nos emprestou o porão da sua casa para sede do bloco, o qual batizamos de “Submundo”. Naquele ano a rainha do carnaval do Harmonia era Cátia Dittgen Vergara.

Muitos amigos foram chegando e outros acabaram deixando este bloco carnavalesco tão especial. Integraram-se ao “Deixa Falar”: Airton Flores Maciel, Flávia e Carla Rosane Casarin Flores, Orivelson de Souza Moreira, Eliane Bichinho Oliveira, Marcos Manke, Noé Izomar de Moura da Silva, Maria Cândida Reyes Gularte e Mario Alberto Morales Gularte, Adriano Martin Funk, Sérgio Hianduí Nunes de Vargas, Carla Borges Guerra, Zelton Pereira das Neves, Marcelo Guerra da Cunha, Arlete Riskow Camargo, Flávio Manke Júnior, Jane Maria Guerra da Cunha e Saul Moreira da Cunha, Cláudia Silva da Fonseca, Luciana Maciel Viana, Alexandre da Silva Soares e Simone Bório Soares, Marivan Souza da Silva vergara e Fábio Prestes Vergara, Cláudio Roberto Rosa Quevedo, Ângela Maria Silveira Jacondino e Carlos Benhur Nunes Jacondino e Cíntia Ferreira Specht.

Foram presidentes do Bloco carnavalesco Deixa Falar: Carlos Manke Bento,  Géder Luís Goulart Barbosa, Patrícia Manke Bento, Miriam Zuleica Goulart Reyes, Jane Guerra da Cunha, Simone Bório Soares, Fábio Prestes Vergara e Adriane Maximino dos Santos.

Maravilhoso lembrar tudo isso… rever fotografias, relembrar as músicas que eram compostas baseadas nos temas apresentados pelo bloco. Além de todas essas lembranças ainda guardamos as camisetas, algumas fantasias,  faixas, estandartes e troféus que o bloco conquistou ao longo dos 10 anos de existência.

Parabéns ao nosso “Deixa Falar” e a todos os  Blocos  Carnavalescos que animaram o Carnaval de Canguçu.

 

 

 

SOBRE A COLUNISTA:: Miriam Zuleica Reyes Barbosa, formada em História pela Universidade Católica de Pelotas, é Professora da Rede Municipal e Acadêmica da ACANDHIS (Cadeira nº 6). Zuleica mantém em paralelo seu blog De Cangussú à Canguçu, Muitas Histórias.

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