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Revisitando a História: Como eram os açougues sem geladeiras antes dos anos 80

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Foto: Acervo Desconhecido/Facebook

Revisitando a História

Esta é uma época do ano que a saudades daqueles que nos são caros chegam de mansinho e tomam conta do nosso coração.[…]

Não deveria ser assim, mas a correria do dia a dia ocupa tanto o nosso tempo que chegamos a não ter tempo para sentir saudades, então chega o mês de novembro e dedicamos os dois primeiros dias para
sentir saudades, olhar fotografias e relembrar velhas histórias, buscando reter na memória os olhares, os sorrisos, as palavras, a maneira como eram ditas, enfim, dedicamos tempo a saudade e as lembranças daqueles que ocuparam espaços imensos em nossas vidas.

Então hoje venho relembrar meu pai e sua atividade, primeira que eu lembro: açougueiro. Resolvi escrever sobre este assunto primeiro pela saudade, e segundo, porque parei para pensar sobre esta atividade e nas mudanças que sofreu nas últimas décadas.

Meu pai teve um açougue de nome Santo Antônio e lembro muito bem tanto do primeiro local que funcionou como do último; O primeiro açougue  funcionou em uma casa onde hoje é a casa do casal Renato e Noeli Von Laer, era uma casa estreita e comprida, possuía apenas uma espécie de balcão construído de tijolos, rebocado e pintado e com acabamento de pedra escura, entre o vermelho e o marrom, como as que eram colocadas nos balcões de pia nas cozinhas.

Tudo era muito simples, em cima do balcão uma tábua grande para cortar a carne. Essa tábua tinha um prego grande onde era colocado um osso da perna do animal, um osso de uns 10 centímetros que servia, imagino, para prender a carne na hora de serrar, o que era feito com uma serra manual.

Tinha também uma balança daquelas de dois pratos onde em um era colocada a carne e no outro os pesos. E, para finalizar, uma faca super afiada, pois meu pai era ágil no ofício de afiar a faca com a chaira e haviam ganchos onde a carne era pendurada, mas não lembro como eram colocados .

Assim era, tudo muito simples, sem geladeiras, câmaras frias, sacolas ou balanças digitais e muitas e muitas vezes também sem carne. Sim, sem carne! Porque ela não estava disponível no açougue quando as pessoas queriam, mas apenas quando o animal era carneado.

Quando havia carne, era colocada uma bandeirola de tecido vermelho próximo a porta do açougue, este era o aviso para vizinhança que ia chegando com pratos e bacias, já que, como disse anteriormente, não havia sacolas plásticas para transportá-las.

Ia esquecendo de registrar que os açougues vendiam apenas carne, nada mais. Quando eu já era maiorzinha, meu pai construiu um açougue do lado da nossa casa. Este sim era moderno, seguindo o estilo dos açougues de Pelotas, onde íamos todos os sábados, no nosso carro “Esplanada” preto com a figura de um leão em cada porta e os bancos forrados de couro vermelho, buscar frangos resfriados para vender. Saliento que era o único açougue da cidade a vender frangos.

Foi o primeiro açougue bem equipado de Canguçu, possuía azulejos brancos nas paredes, balcão refrigerado onde meu pai colocava manteiga Damby, maçãs argentinas e a grande novidade: iogurte natural; Nosso açougue tinha ainda Câmara fria, balança moderna para a época, maquinas de fazer guisado e bife, serra elétrica.

Eram muitas as modernidades que os outros açougues não possuíam, além de meu pai e meu avô trabalharem de jaleco, também algo que não era usado na época, mas o que mais se destacava eram os sacos plásticos personalizados “Casa de carnes Santo Antônio”.

Depois de um tempo meu pai acabou vendendo o açougue para o Rubens Pinheiro, se não me engano no ano de 1976. Trabalharam em nosso açougue que eu lembro, o Adão, o Sr. Reinoldo, meu avô Tacico e o Gringo; o Teca trabalhava com meu pai nas carneadas, a Santa derretia a graxa em uma peça fora do açougue e a dona Nadica o limpava aos finais de semana.

Boas lembranças! Saudades dele, do açougue e de todos aqueles que amo e que não estão mais comigo.

 

 

 

SOBRE A COLUNISTA:: Miriam Zuleica Reyes Barbosa, formada em História pela Universidade Católica de Pelotas, é Professora da Rede Municipal e Acadêmica da ACANDHIS (Cadeira nº 6). Zuleica mantém em paralelo seu blog De Cangussú à Canguçu, Muitas Histórias.

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Revisitando a História: Sonho ou Carnaval?

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Revisitando a História

“Vida que brota da alma, escondida o ano inteiro…
Vem à tona com tamanha euforia, com tanta intensidade
Que  parece não caber na forma que a encerra,
E ri… e canta… e dança…  e vive tudo de uma vez ,
Para depois dormir mais um ano, sossegada e serena.
Se olhar assim, com olhos comuns, não se identifica esta alma intensa
Que dorme na quarta-feira para voltar no próximo carnaval.”

Falar de Carnaval em Canguçu hoje é muito difícil, especialmente para uma quem é amante desta festa que retrata em sua essência o povo brasileiro, que mostra esta cultura tão particularmente nossa, tão vibrante e miscigenada…

É algo que está no sangue, na alma, não se explica e não se entende. Dificilmente um brasileiro é indiferente ao samba, este ritmo tão envolvente e muitos esperam o ano inteiro por esta época do ano  para  cair na folia, sambar, brincar e pular até que chegue a quarta-feira para então, como o palhaço que sai da caixa de surpresa,  voltar com cara de saudade para só sair novamente no próximo carnaval. Isto tudo é mágico e só é percebido por  aqueles que tem dentro de si o sentimento carnavalesco.

Mas  não é fácil falar de Carnaval quando ele se mostra tão diferente na minha Canguçu, diferente sim, pois já tivemos um Carnaval empolgante, envolvente, alegre e quem brincou o Carnaval no Salão do Harmonia até a final da década de 90, sabe do que estou falando; o novo século chegou, cheio de vida, de novidades mas o que se foi levou com ele a magia do Carnaval Canguçuense.

Muitos blocos carnavalescos encheram os salões do  Clube Harmonia e do Clube Recreativo América de alegria. Pessoas como o saudoso “Tio Arlindo Almeida” com seu bloco dos bichos, o seu Manoel e o Paulinho, jamais serão  esquecidas ao relembrarmos os antigos carnavais de rua, quando os mascarados faziam a festa .

Os blocos tradicionais como o Sacarrolha, o Rebu, as Bruxas,  o Cordão do Amor,  O ET , Los Tarados, os Bugres, os Maconeiros, e outros tantos que no momento não lembro, formados por casais ou jovens brilhavam com suas fantasias que luxuosas, criativas ou apenas expressando ideias em camisetas coloridas viviam este momento tão esperado e a alegria era contagiante desde o “Grito de Carnaval” , passando por ótimos bailes de salão e acabando na  quarta-feira de cinzas , mas é  claro que o que me deixou mais saudade foi  o nosso “Deixa Falar”, bloco animado que fez a nossa alegria por 10 Carnavais.

O “Deixa Falar” nasceu no carnaval de 1989, sendo seu nome uma homenagem a primeira escola de samba do Rio de Janeiro e teve como tema a “Oficialização da pilcha gaúcha”. Os primeiros componentes foram M. Zuleica G. Reyes, Géder Luiz G.  Barbosa, os irmãos Cacilda, Patrícia e Carlos Manke Bento, João Nei Pereira das Neves, Adriane e Andréia Maximino dos Santos, Gerson Flores Maciel, Marcos Paulo Barbosa de Souza e Angelita Barbosa.

O bloco contou com a colaboração especial de Nede Adam Manke ,  do casal Paula e Paulo Perchim e da querida tia Zaida Bento que inclusive nos emprestou o porão da sua casa para sede do bloco, o qual batizamos de “Submundo”. Naquele ano a rainha do carnaval do Harmonia era Cátia Dittgen Vergara.

Muitos amigos foram chegando e outros acabaram deixando este bloco carnavalesco tão especial. Integraram-se ao “Deixa Falar”: Airton Flores Maciel, Flávia e Carla Rosane Casarin Flores, Orivelson de Souza Moreira, Eliane Bichinho Oliveira, Marcos Manke, Noé Izomar de Moura da Silva, Maria Cândida Reyes Gularte e Mario Alberto Morales Gularte, Adriano Martin Funk, Sérgio Hianduí Nunes de Vargas, Carla Borges Guerra, Zelton Pereira das Neves, Marcelo Guerra da Cunha, Arlete Riskow Camargo, Flávio Manke Júnior, Jane Maria Guerra da Cunha e Saul Moreira da Cunha, Cláudia Silva da Fonseca, Luciana Maciel Viana, Alexandre da Silva Soares e Simone Bório Soares, Marivan Souza da Silva vergara e Fábio Prestes Vergara, Cláudio Roberto Rosa Quevedo, Ângela Maria Silveira Jacondino e Carlos Benhur Nunes Jacondino e Cíntia Ferreira Specht.

Foram presidentes do Bloco carnavalesco Deixa Falar: Carlos Manke Bento,  Géder Luís Goulart Barbosa, Patrícia Manke Bento, Miriam Zuleica Goulart Reyes, Jane Guerra da Cunha, Simone Bório Soares, Fábio Prestes Vergara e Adriane Maximino dos Santos.

Maravilhoso lembrar tudo isso… rever fotografias, relembrar as músicas que eram compostas baseadas nos temas apresentados pelo bloco. Além de todas essas lembranças ainda guardamos as camisetas, algumas fantasias,  faixas, estandartes e troféus que o bloco conquistou ao longo dos 10 anos de existência.

Parabéns ao nosso “Deixa Falar” e a todos os  Blocos  Carnavalescos que animaram o Carnaval de Canguçu.

 

 

 

SOBRE A COLUNISTA:: Miriam Zuleica Reyes Barbosa, formada em História pela Universidade Católica de Pelotas, é Professora da Rede Municipal e Acadêmica da ACANDHIS (Cadeira nº 6). Zuleica mantém em paralelo seu blog De Cangussú à Canguçu, Muitas Histórias.

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