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Revisitando a História: O Clube Abolicionista de Canguçu

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Foto: Acervo Desconhecido/Facebook

Revisitando a História

Passado a pouco o dia 20 de novembro, dia da “Consciência Negra”, procurei buscar algo que falasse sobre o tema, já que em Canguçu a escravidão foi uma realidade, bem como os quilombos, aldeamentos de escravos fugidos de seus senhores em busca de liberdade.

Segundo o Historiador Agostinho Mário Dalla Vecchia, em seu livro “Memórias da Escravidão”, as matas de Canguçu escondiam quilombos que abrigavam escravos fugitivos de toda a região.

Mas vamos a matéria que recolhi de um antigo jornal local , com certeza encontrado no Museu Municipal, infelizmente não registrei a fonte, mas irei a procura a fim de registra-la, porém, o conhecimento não se perde.

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Cangussu, 13 de outubro

A 28 do passado, na casa da câmara, estando presentes muitos cavalheiros devotados a causa do abolicionismo e a banda de música Santa Rosa, procedeu-se a eleição da diretoria do clube emancipador, ficando assim composta:

Presidente: Bernardino Pinto Ribeiro,
Vice-Presidente: Júlio César da Luz,
Tesoureiro: Enéas Gonzaga Moreira,
1º Secretário: Antônio Manoel da Costa,
2º Secretário: Carlos da Costa Bandeira.
Procurador: Gregório Teixeira Lopes do Carmo.

Ás 4 horas da tarde do dia 5, efetuou-se a sessão de posse da diretoria, ante numerosa concorrência de abolicionistas e na presença de muitas famílias.

Depois de estar empossado o presidente do clube e ter agradecido a prova de consideração que lhe dispensavam, confiando-lhe um tão honroso cargo, apresentam-se a comissão de Exmas. Senhoras, que aceitando agradavelmente o convite que lhes fora dirigido, estavam todas dispostas a esforçar-se quanto possível lhes fosse para a pronta e completa extinção da escravidão nesta vila.

A Exma. Sra. Dona Túlia da Luz, que foi oradora da comissão acrescentou que tinham imensa satisfação em concorrer com os seus serviços em prol de tão santa causa, e que seu primeiro passo será garantir donativos para aplica-los à libertação de infelizes cativos. 

Depois de mais algumas palavras, todas recendendo entusiasmo, terminou a oradora sendo saudada por uma longa salva de palmas. Dessa comissão fazem parte, além da Srª Dona Túlia Cézar da Luz, as
Exmas . Srª Dona Pacífica Abreu, Gertrudes Jacundina, Feliciana Amélia Moreira, Theophila Amélia de Mattos e Adelaide Gonçalves do Carmo.

O presidente do clube agradeceu o louvável empenho da ilustre comissão e sobre esse assunto pronunciaram-se encomiasticamente os Srs. Martiniano Lafuente e Gregório do Carmo. A sessão esteve imponente, muito concorrendo para o seu brilhantismo o generoso concurso da sociedade musical Santa Rosa , que tocou bonitas peças de música.

Esta sociedade tem procedido de forma a merecer gerais simpatias por sua prestabilidade e devotamento à propaganda abolicionista, concorrendo sempre com a melhor boa vontade e louvável desinteresse.

Terminada a sessão, foram todos os presentes, precedidos da mesma banda musical assistir a inauguração dos melhoramentos da praça da Matriz. Ali recebidos pela comissão administrativa dos mesmos melhoramentos. 

Sr. Dr. Serafim Luiz de Abreu, Júlio Cezar da Luz e Alexandre Gaspar da Costa, e por entre entusiásticos clamores da população, o Sr. Serafim Abreu pronunciou um eloquente discurso e leu 14 cartas de liberdade concedidas sem ônus algum.

Ás 7 horas concluiu a festa, percorrendo as principais ruas as duas bandas musicais.”

Ainda registrado no mesmo jornal: “Contando 118 anos de idade, faleceu aqui, a preta Libânia, natural da África. Na presente época, poços terão a ventura de chegar a tal idade.”

 

 

 

SOBRE A COLUNISTA:: Miriam Zuleica Reyes Barbosa, formada em História pela Universidade Católica de Pelotas, é Professora da Rede Municipal e Acadêmica da ACANDHIS (Cadeira nº 6). Zuleica mantém em paralelo seu blog De Cangussú à Canguçu, Muitas Histórias.

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Revisitando a História: Sonho ou Carnaval?

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Revisitando a História

“Vida que brota da alma, escondida o ano inteiro…
Vem à tona com tamanha euforia, com tanta intensidade
Que  parece não caber na forma que a encerra,
E ri… e canta… e dança…  e vive tudo de uma vez ,
Para depois dormir mais um ano, sossegada e serena.
Se olhar assim, com olhos comuns, não se identifica esta alma intensa
Que dorme na quarta-feira para voltar no próximo carnaval.”

Falar de Carnaval em Canguçu hoje é muito difícil, especialmente para uma quem é amante desta festa que retrata em sua essência o povo brasileiro, que mostra esta cultura tão particularmente nossa, tão vibrante e miscigenada…

É algo que está no sangue, na alma, não se explica e não se entende. Dificilmente um brasileiro é indiferente ao samba, este ritmo tão envolvente e muitos esperam o ano inteiro por esta época do ano  para  cair na folia, sambar, brincar e pular até que chegue a quarta-feira para então, como o palhaço que sai da caixa de surpresa,  voltar com cara de saudade para só sair novamente no próximo carnaval. Isto tudo é mágico e só é percebido por  aqueles que tem dentro de si o sentimento carnavalesco.

Mas  não é fácil falar de Carnaval quando ele se mostra tão diferente na minha Canguçu, diferente sim, pois já tivemos um Carnaval empolgante, envolvente, alegre e quem brincou o Carnaval no Salão do Harmonia até a final da década de 90, sabe do que estou falando; o novo século chegou, cheio de vida, de novidades mas o que se foi levou com ele a magia do Carnaval Canguçuense.

Muitos blocos carnavalescos encheram os salões do  Clube Harmonia e do Clube Recreativo América de alegria. Pessoas como o saudoso “Tio Arlindo Almeida” com seu bloco dos bichos, o seu Manoel e o Paulinho, jamais serão  esquecidas ao relembrarmos os antigos carnavais de rua, quando os mascarados faziam a festa .

Os blocos tradicionais como o Sacarrolha, o Rebu, as Bruxas,  o Cordão do Amor,  O ET , Los Tarados, os Bugres, os Maconeiros, e outros tantos que no momento não lembro, formados por casais ou jovens brilhavam com suas fantasias que luxuosas, criativas ou apenas expressando ideias em camisetas coloridas viviam este momento tão esperado e a alegria era contagiante desde o “Grito de Carnaval” , passando por ótimos bailes de salão e acabando na  quarta-feira de cinzas , mas é  claro que o que me deixou mais saudade foi  o nosso “Deixa Falar”, bloco animado que fez a nossa alegria por 10 Carnavais.

O “Deixa Falar” nasceu no carnaval de 1989, sendo seu nome uma homenagem a primeira escola de samba do Rio de Janeiro e teve como tema a “Oficialização da pilcha gaúcha”. Os primeiros componentes foram M. Zuleica G. Reyes, Géder Luiz G.  Barbosa, os irmãos Cacilda, Patrícia e Carlos Manke Bento, João Nei Pereira das Neves, Adriane e Andréia Maximino dos Santos, Gerson Flores Maciel, Marcos Paulo Barbosa de Souza e Angelita Barbosa.

O bloco contou com a colaboração especial de Nede Adam Manke ,  do casal Paula e Paulo Perchim e da querida tia Zaida Bento que inclusive nos emprestou o porão da sua casa para sede do bloco, o qual batizamos de “Submundo”. Naquele ano a rainha do carnaval do Harmonia era Cátia Dittgen Vergara.

Muitos amigos foram chegando e outros acabaram deixando este bloco carnavalesco tão especial. Integraram-se ao “Deixa Falar”: Airton Flores Maciel, Flávia e Carla Rosane Casarin Flores, Orivelson de Souza Moreira, Eliane Bichinho Oliveira, Marcos Manke, Noé Izomar de Moura da Silva, Maria Cândida Reyes Gularte e Mario Alberto Morales Gularte, Adriano Martin Funk, Sérgio Hianduí Nunes de Vargas, Carla Borges Guerra, Zelton Pereira das Neves, Marcelo Guerra da Cunha, Arlete Riskow Camargo, Flávio Manke Júnior, Jane Maria Guerra da Cunha e Saul Moreira da Cunha, Cláudia Silva da Fonseca, Luciana Maciel Viana, Alexandre da Silva Soares e Simone Bório Soares, Marivan Souza da Silva vergara e Fábio Prestes Vergara, Cláudio Roberto Rosa Quevedo, Ângela Maria Silveira Jacondino e Carlos Benhur Nunes Jacondino e Cíntia Ferreira Specht.

Foram presidentes do Bloco carnavalesco Deixa Falar: Carlos Manke Bento,  Géder Luís Goulart Barbosa, Patrícia Manke Bento, Miriam Zuleica Goulart Reyes, Jane Guerra da Cunha, Simone Bório Soares, Fábio Prestes Vergara e Adriane Maximino dos Santos.

Maravilhoso lembrar tudo isso… rever fotografias, relembrar as músicas que eram compostas baseadas nos temas apresentados pelo bloco. Além de todas essas lembranças ainda guardamos as camisetas, algumas fantasias,  faixas, estandartes e troféus que o bloco conquistou ao longo dos 10 anos de existência.

Parabéns ao nosso “Deixa Falar” e a todos os  Blocos  Carnavalescos que animaram o Carnaval de Canguçu.

 

 

 

SOBRE A COLUNISTA:: Miriam Zuleica Reyes Barbosa, formada em História pela Universidade Católica de Pelotas, é Professora da Rede Municipal e Acadêmica da ACANDHIS (Cadeira nº 6). Zuleica mantém em paralelo seu blog De Cangussú à Canguçu, Muitas Histórias.

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