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Revisitando a História: O início do Tradicionalismo em Canguçu

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Revisitando a História

Sabe-se que o primeiro Centro de Tradições Gaúchas, fundado em nosso Estado data do ano de 1948, foi o CTG 35 de Porto Alegre, destacando-se como um de seus principais colaboradores intelectuais, bem como, da formação do MTG, o piratiniense Luiz Carlos Barbosa Lessa, hoje homenageado pela ACANDHIS como Patrono da cadeira de nº 27, representada pelo acadêmico Géder Luís Goularte Barbosa.

De família canguçuense, durante sua juventude, muitas férias aqui passou e segundo seu próprio depoimento, recolhido e arquivado na Academia pelo também acadêmico da ACANDHIS, Cairo Moreira Pinheiro, disse Lessa que:

“ Indo estudar no colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, cheguei mascando o freio e, quando os cola fina me chamavam de grosso, eu até me ria de faceirice e orgulhoso em 47, nessa mesma escola, conheci meu colega Paixão Cortes e foi como se entreverássemos num só galope a alma da minha terra farroupilha e a alma de Santana do Livramento. Dai a pouco surgia o velho CTG 35. Não mais que uns vinte rapazes, mas onde íamos tenteávamos a rapaziada com nossos relinchos gauchescos”.

Disse ainda que após o inicio de suas atividades visando o resgate das tradições do Rio Grande, quando em férias, vinha para a nossa Canguçu visitar a família e participava do grupo de mateada dos adultos no Hotel Brasil, onde residia o seu pai e, que com seu entusiasmo pelas coisas campeiras, acabou contagiando Raul Silveira e recebendo o incentivo de um agrônomo canguçuense que morava em Pelotas, Dirceu Pires Terres.

Registrou que em 1957, quando já morava em São Paulo, teve notícia de que o pessoal de Canguçu estava querendo fundar um CTG e pretendia dar o seu nome a nova entidade, ao qual ele respondeu que sentia-se honrado com a homenagem mas que levando em conta sua pouca idade, achava mais sensata a escolha de alguém mais velho, ou mesmo já morto, como o de seu avô Nico Lessa herói do conto “Deve um queijo” de Simões Lopes Neto.

Tempos depois recebeu um recorte do jornal “Diário de Notícias” de 1º de dezembro de 1957, que trazia como título: “Fundado em Canguçu o CTG Barbosa Lessa”. A reunião oficial se dera dia 17 de novembro no hotel Brasil, contando com a presença de umas duzentas pessoas, sob a presidência do Coronel Leão da Silveira Terres e com solene discurso a cargo do deputado estadual Joaquim de Deus Nunes;

Na oportunidade foi eleita a diretoria provisória: Raul Silveira, José Moreira Bento, Joaquim Souza Brito, Arnoldo Pires Terres, Tito Pires Terres e Dr. Nede Terres Nunes. Uma parte do grupo queria o nome CTG Sinuelo, outra insistia na ideia original CTG Barbosa Lessa e no fim surgiu a formula conciliatória: “Sinuelo CTG Barbosa Lessa.”

Após esta tentativa o primeiro CTG de Canguçu foi fundado em 26 de julho de 1959 com o nome de Joaquim Paulo de Freitas, na propriedade da Sra. Aracy Gomes Duarte, no Alto Alegre e, após, o CTG Sinuelo fundado em 20 de setembro de 1964, na garagem casa do casal Raul e Leda Silveira, na sede do município.

Depois destes, outros CTGs foram fundados, bem como muitos piquetes, entre eles o Vanguardeiro, responsável pela condução da Chama Crioula ao Município.

Fonte: Apontamentos de Cairo Moreira Pinheiro (guardados na ACANDHIS)

“Todas as entidades tradicionalistas de nosso município tem em sua história pessoas queridas que carregaram suas bandeiras e ora fazem sua ronda na eternidade, bordando o céu do Rio Grande de estrelas brilhantes que, com certeza são mais cintilantes durante o mês de setembro, para assim homenagearem nosso pago.

Mais uma Semana Farroupilha acontece agora em nossa Canguçu. Mais uma semana de rondas, de belas apresentações, de prendas e gaúchos orgulhosos em reverenciar o chão que nasceram. Parabéns a todos os tradicionalistas desta amada terra…”

 

 

 

SOBRE A COLUNISTA:: Miriam Zuleica Reyes Barbosa, formada em História pela Universidade Católica de Pelotas, é Professora da Rede Municipal e Acadêmica da ACANDHIS (Cadeira nº 6). Zuleica mantém em paralelo seu blog De Cangussú à Canguçu, Muitas Histórias.

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Revisitando a História: Sonho ou Carnaval?

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Revisitando a História

“Vida que brota da alma, escondida o ano inteiro…
Vem à tona com tamanha euforia, com tanta intensidade
Que  parece não caber na forma que a encerra,
E ri… e canta… e dança…  e vive tudo de uma vez ,
Para depois dormir mais um ano, sossegada e serena.
Se olhar assim, com olhos comuns, não se identifica esta alma intensa
Que dorme na quarta-feira para voltar no próximo carnaval.”

Falar de Carnaval em Canguçu hoje é muito difícil, especialmente para uma quem é amante desta festa que retrata em sua essência o povo brasileiro, que mostra esta cultura tão particularmente nossa, tão vibrante e miscigenada…

É algo que está no sangue, na alma, não se explica e não se entende. Dificilmente um brasileiro é indiferente ao samba, este ritmo tão envolvente e muitos esperam o ano inteiro por esta época do ano  para  cair na folia, sambar, brincar e pular até que chegue a quarta-feira para então, como o palhaço que sai da caixa de surpresa,  voltar com cara de saudade para só sair novamente no próximo carnaval. Isto tudo é mágico e só é percebido por  aqueles que tem dentro de si o sentimento carnavalesco.

Mas  não é fácil falar de Carnaval quando ele se mostra tão diferente na minha Canguçu, diferente sim, pois já tivemos um Carnaval empolgante, envolvente, alegre e quem brincou o Carnaval no Salão do Harmonia até a final da década de 90, sabe do que estou falando; o novo século chegou, cheio de vida, de novidades mas o que se foi levou com ele a magia do Carnaval Canguçuense.

Muitos blocos carnavalescos encheram os salões do  Clube Harmonia e do Clube Recreativo América de alegria. Pessoas como o saudoso “Tio Arlindo Almeida” com seu bloco dos bichos, o seu Manoel e o Paulinho, jamais serão  esquecidas ao relembrarmos os antigos carnavais de rua, quando os mascarados faziam a festa .

Os blocos tradicionais como o Sacarrolha, o Rebu, as Bruxas,  o Cordão do Amor,  O ET , Los Tarados, os Bugres, os Maconeiros, e outros tantos que no momento não lembro, formados por casais ou jovens brilhavam com suas fantasias que luxuosas, criativas ou apenas expressando ideias em camisetas coloridas viviam este momento tão esperado e a alegria era contagiante desde o “Grito de Carnaval” , passando por ótimos bailes de salão e acabando na  quarta-feira de cinzas , mas é  claro que o que me deixou mais saudade foi  o nosso “Deixa Falar”, bloco animado que fez a nossa alegria por 10 Carnavais.

O “Deixa Falar” nasceu no carnaval de 1989, sendo seu nome uma homenagem a primeira escola de samba do Rio de Janeiro e teve como tema a “Oficialização da pilcha gaúcha”. Os primeiros componentes foram M. Zuleica G. Reyes, Géder Luiz G.  Barbosa, os irmãos Cacilda, Patrícia e Carlos Manke Bento, João Nei Pereira das Neves, Adriane e Andréia Maximino dos Santos, Gerson Flores Maciel, Marcos Paulo Barbosa de Souza e Angelita Barbosa.

O bloco contou com a colaboração especial de Nede Adam Manke ,  do casal Paula e Paulo Perchim e da querida tia Zaida Bento que inclusive nos emprestou o porão da sua casa para sede do bloco, o qual batizamos de “Submundo”. Naquele ano a rainha do carnaval do Harmonia era Cátia Dittgen Vergara.

Muitos amigos foram chegando e outros acabaram deixando este bloco carnavalesco tão especial. Integraram-se ao “Deixa Falar”: Airton Flores Maciel, Flávia e Carla Rosane Casarin Flores, Orivelson de Souza Moreira, Eliane Bichinho Oliveira, Marcos Manke, Noé Izomar de Moura da Silva, Maria Cândida Reyes Gularte e Mario Alberto Morales Gularte, Adriano Martin Funk, Sérgio Hianduí Nunes de Vargas, Carla Borges Guerra, Zelton Pereira das Neves, Marcelo Guerra da Cunha, Arlete Riskow Camargo, Flávio Manke Júnior, Jane Maria Guerra da Cunha e Saul Moreira da Cunha, Cláudia Silva da Fonseca, Luciana Maciel Viana, Alexandre da Silva Soares e Simone Bório Soares, Marivan Souza da Silva vergara e Fábio Prestes Vergara, Cláudio Roberto Rosa Quevedo, Ângela Maria Silveira Jacondino e Carlos Benhur Nunes Jacondino e Cíntia Ferreira Specht.

Foram presidentes do Bloco carnavalesco Deixa Falar: Carlos Manke Bento,  Géder Luís Goulart Barbosa, Patrícia Manke Bento, Miriam Zuleica Goulart Reyes, Jane Guerra da Cunha, Simone Bório Soares, Fábio Prestes Vergara e Adriane Maximino dos Santos.

Maravilhoso lembrar tudo isso… rever fotografias, relembrar as músicas que eram compostas baseadas nos temas apresentados pelo bloco. Além de todas essas lembranças ainda guardamos as camisetas, algumas fantasias,  faixas, estandartes e troféus que o bloco conquistou ao longo dos 10 anos de existência.

Parabéns ao nosso “Deixa Falar” e a todos os  Blocos  Carnavalescos que animaram o Carnaval de Canguçu.

 

 

 

SOBRE A COLUNISTA:: Miriam Zuleica Reyes Barbosa, formada em História pela Universidade Católica de Pelotas, é Professora da Rede Municipal e Acadêmica da ACANDHIS (Cadeira nº 6). Zuleica mantém em paralelo seu blog De Cangussú à Canguçu, Muitas Histórias.

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